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Decisão 5105142-88.2025.8.24.0000

Decisão TJSC

Processo: 5105142-88.2025.8.24.0000

Recurso: Agravo

Relator:

Órgão julgador:

Data do julgamento: 19 de dezembro de 2006

Ementa

AGRAVO – Documento:7220709 ESTADO DE SANTA CATARINA TRIBUNAL DE JUSTIÇA Agravo de Instrumento Nº 5105142-88.2025.8.24.0000/SC DESPACHO/DECISÃO I. Trata-se de recurso de agravo de instrumento interposto por M. S. P. e outros contra decisão interlocutória proferida pelo juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Criciúma, nos autos da ação de rescisão de contrato de empreitada, de n. 5007067-27.2020.8.24.0020, movida em desfavor de Liga Construções Ltda e outros, a qual indeferiu o pedido de inversão do ônus para obtenção das informações necessárias à qualificação dos terceiros adquirentes dos imóveis, mantendo a determinação de emenda da inicial sob pena de indeferimento dos pedidos que impliquem efeitos sobre terceiros não citados (evento 491).

(TJSC; Processo nº 5105142-88.2025.8.24.0000; Recurso: Agravo; Relator: ; Órgão julgador: ; Data do Julgamento: 19 de dezembro de 2006)

Texto completo da decisão

Documento:7220709 ESTADO DE SANTA CATARINA TRIBUNAL DE JUSTIÇA Agravo de Instrumento Nº 5105142-88.2025.8.24.0000/SC DESPACHO/DECISÃO I. Trata-se de recurso de agravo de instrumento interposto por M. S. P. e outros contra decisão interlocutória proferida pelo juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Criciúma, nos autos da ação de rescisão de contrato de empreitada, de n. 5007067-27.2020.8.24.0020, movida em desfavor de Liga Construções Ltda e outros, a qual indeferiu o pedido de inversão do ônus para obtenção das informações necessárias à qualificação dos terceiros adquirentes dos imóveis, mantendo a determinação de emenda da inicial sob pena de indeferimento dos pedidos que impliquem efeitos sobre terceiros não citados (evento 491). Em síntese, a agravante sustenta que o juízo de origem reconheceu a necessidade de inclusão dos atuais proprietários dos imóveis no polo passivo, mas lhe impôs o ônus de qualificar terceiros cujos dados afirma não possuir, por estarem sob domínio dos agravados. Alega que demonstrou a impossibilidade de cumprir integralmente a determinação, requerendo que fosse atribuída aos agravados a obrigação de fornecer as informações, o que foi indeferido sob o fundamento de que se tratariam de dados públicos. Argumenta que a decisão recorrida impõe ônus excessivo, inviabiliza a adequada formação do litisconsórcio passivo necessário e expõe a demanda ao risco de ineficácia ou de indeferimento parcial dos pedidos. Sustenta, ainda, que há nos autos elementos que indicam que os agravados detêm as informações relativas aos adquirentes dos imóveis, razão pela qual a manutenção da decisão configura cerceamento de defesa e compromete o resultado útil do processo. Ao final, pugna pela concessão de efeito suspensivo e, no mérito, pela reforma da decisão agravada, a fim de que seja determinada a obtenção das informações junto aos agravados ou por meios judiciais, com a posterior concessão de novo prazo para emenda da petição inicial. É o relatório do essencial. II. Com o propósito de imprimir maior celeridade ao exame do pedido emergencial, esclarece-se que análise dos pressupostos de admissibilidade recursal será diferida para oportunidade futura, com espeque na efetividade do processo, enquanto norte da atividade judicante. Como é cediço, o agravo de instrumento não é dotado, originalmente, de efeito suspensivo. Cabe à parte, então, requerer a atribuição do efeito, quando o imediato efeito da decisão tiver propensão de causar, ao recorrente, lesão grave, de difícil ou impossível reparação, desde que demonstrada a probabilidade do provimento do recurso (arts. 995 e 1.019, inc. I, do CPC). Lado outro, o Relator poderá, ainda, antecipar a pretensão recursal nos casos em que a decisão objurgada for negativa e a demora for prejudicial ao recorrente. Nesse caso, compete ao recorrente demonstrar a presença dos mesmos requisitos para a concessão do efeito suspensivo, quais sejam, o fumus boni iuris e o periculum in mora. Ocorre, porém, que os requisitos ao deferimento da medida precisam ser efetivamente comprovados, haja vista sua excepcionalidade diante do regramento adjetivo geral. Em relação ao fumus boni iuris, Eduardo Arruda Alvim, ensina que é necessário "que fique caracterizada a plausibilidade do direito alegado pelo requerente da tutela provisória, ou seja, deve ser possível ao julgador, dentro dos limites permitidos de seu conhecimento ainda não exauriente da causa, formar uma convicção ou uma avaliação de credibilidade sobre o direito alegado" (in Tutela Provisória. 2ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 153). Quanto ao periculum in mora, Elpídio Donizetti disserta que haverá urgência se, "por meio de cognição sumária o juiz verificar que pode ser o autor o titular do direito material invocado e que há fundado receio de que esse direito possa experimentar dano ou que o resultado útil do processo possa ser comprometido" (in Curso Didático de Direito Processual Civil. 20ª Edição. São Paulo: Atlas, 2017, p. 419). Ainda, a medida não pode configurar situação faticamente irreversível. Destaca-se, contudo, como bem pontuado por Eduardo A. Alvim, que a reversibilidade, contudo, deve ser ponderada entre o direito ao contraditório e o acesso à justiça, de modo que, em determinadas situações, caso revogada ou anulada a decisão que tenha concedido a tutela de urgência, haverá a conversão da obrigação específica (status quo ante) em obrigação genérica (perdas e danos) - in Direito processual civil. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2019. p. 466. No caso vertente, o recebimento da presente insurgência apenas com efeito devolutivo pode acarretar a extinção do feito, antes mesmo do julgamento deste reclamo. E, em tais situações, onde a urgência da quaestio prepondera sobre qualquer outro fator - mesmo à míngua de robusto acervo probatório - a atividade pretoriana vem endossando a denominada teoria da gangorra, bem sintetizada na dicção da professora Teresa Arruda Alvim Wambier. Leia-se:  O que queremos dizer, como “regra da gangorra”, é que quanto maior o periculum demonstrado, menos fumus se exige da tutela pretendida, pois a menos que se anteveja a completa inconsistência do direito alegado, o que importa para a sua concessão é a própria urgência, ou seja, a necessidade considerada em confronto com o perigo da demora na prestação jurisdicional. O Juízo de plausibilidade ou de probabilidade  que envolvem dose significativa de subjetividade  ficam, a nosso ver, num segundo plano, dependendo do periculum evidenciado. Mesmo em situações que o magistrado não vislumbre uma maior probabilidade do direito invocado, dependendo do bem em jogo e da urgência demonstrada (princípio da proporcionalidade), deverá ser deferida a tutela de urgência, mesmo que satisfativa. (in Primeiros comentários ao novo Código de Processo Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015. p. 498-499). Isto é, quanto maior a urgência da situação de fato sob análise, exige-se menor intensidade de fumus boni iuris para o deferimento da medida, visto que o escopo da tutela provisória de urgência é, justamente, gerir o perigo da demora no curso da marcha processual, distribuindo esse ônus à parte que pode suportá-lo de modo menos gravoso. É precisamente esta a situação versada nestes autos, sendo, portanto, de rigor o acautelamento do direito da agravante, a fim de suspender os efeitos da decisão objurgada. Logo, ao menos em análise perfunctória, cabível neste iter processual, denota-se que o pleito se reveste de fumus boni iuris e periculum in mora bastantes, atraindo o deferimento da tutela provisória vindicada – sem implicar, por óbvio, qualquer prejuízo à adoção de entendimento ulterior distinto, quando do julgamento definitivo deste recurso. III. Ante o exposto, ATRIBUO efeito suspensivo à irresignação.  Comunique-se, com urgência, ao juízo a quo.  Publique-se. Intimem-se. Cumpra-se o disposto no art. 1.019, inciso II, do Código de Ritos.  Após, retornem os autos conclusos para inclusão em pauta de julgamento.   assinado por ANDRÉ CARVALHO, Desembargador, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico https://2g.tjsc.jus.br//verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 7220709v3 e do código CRC 2f702a39. Informações adicionais da assinatura: Signatário (a): ANDRÉ CARVALHO Data e Hora: 19/12/2025, às 14:01:25     5105142-88.2025.8.24.0000 7220709 .V3 Conferência de autenticidade emitida em 14/01/2026 22:05:01. Identificações de pessoas físicas foram ocultadas
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